Artigos de Lúcio Packter

título - Astrolábio


artigo publicado na edição 38 da revista Filosofia, da Editora Escala.

Astrolábio. Você já ouviu falar, mas é uma coisa que usualmente se esquece. A gente fala em astrolábio para alguém, explica o que é, a pessoa acha interessante, e em seguida esquece, não interessa.

Astrolábio é aquele velho instrumento astronômico usado para se saber a altura dos corpos celestes que estão acima do horizonte. Criação do grego Hiparco, foi depois desenvolvido e virou uma peça essencial na astrometria. Algo que, se alguém lhe perguntar em um mês, provavelmente não saberá mais o que é.

Alano diz que a nossa vida é repleta de astrolábios. Astrolábios por todo o lado. Lábios tocando astros, trocadilhos, coisas que se apagam. E isso, que segundo Alano, astrolábio não tem a menor importância para ele, o deixa inquieto. Mas ele também não sabe o motivo. Apenas não gosta de ficar olvidando as peças que medem a altura das estrelas e outras coisas inúteis assim. Inúteis para o cotidiano e não para a perturbação do espírito.

Alano, um jovem do centro oeste, perdeu o semestre na Faculdade depois que a namorada morreu em um acidente de carro. Tem andado por pubs, noites, amizades, “coisas astrolábicas”, como ele diz.

E é por coisas assim que gente como Alano costuma deixar seus astrolábios em dia. Eles não servem assim tanto e não possuem dimensões gerais para que suas presenças sejam tão essenciais quanto fundamentais são a falta que causam. Estranha coisa cuja maior propriedade pode ser compreendida na falta.

 

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