Artigos de Lúcio Packter

título - Salinger


artigo publicado na edição 32 da revista Filosofia, da Editora Escala.

    

Salinger

Houve um livro que encantou uma época: O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D.Salinger. Aquela coisa inspirada que surge como resposta ao que se está vivendo, e arrasta nossas vontades.

Acontece que Salinger sempre foi um sujeito quieto. Fácil de passar invisível em qualquer lugar. Raramente alguma badalação ou perfumaria o tirou de casa, um rancho no interior dos EUA. Cada aparição de Salinger em público seria um evento e tanto, caso ele não estivesse devidamente invisível.

Na década de 70, Salinger era um cinquentão e teve uma namorada, Joyce, que acabou contando todo o namoro de menos de um ano em um livro. O livro é uma tolice, mas o sucesso foi grande.

Leio agora em uma revista semanária que Joyce resolveu leiloar na Sotheby`s, em New York, as 14 cartas que Salinger escreveu para ela.

A mulher disse à revista que “prefiro manter meus filhos na escola a guardar uma caixa de cartas de Salinger”.

...olha, existe algo que causa dor nessa atitude e que relativiza um monte de coisas. Talvez porque certas lembranças estejam bem no fundo de algum armário. Muita coisa fica bem existencialmente enquanto permanece longe da luz. Eu tenho a impressão de que as cartas podem ser lidas, rasgadas, guardadas, devolvidas, mas tenho a impressão de que nenhuma deveria ser leiloada. Leiloada não. E isso, evidente, é assim para mim.

 

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