Artigos de Lúcio Packter

título - Enunciação das Buscas


artigo publicado na edição 34 da revista Filosofia, da Editora Escala.

    

No noroeste da Grécia,  Dodona, havia o oráculo de Zeus, provavelmente o mais remoto. Ali, um sacerdote daria significados aos mandos daquele. O murmulho, semelhante a um ramalhar, das folhas de carvalho indicava as trajetórias. Enquanto Homero descrevia heróis façanhosos, Hesíodo se ocupava com os deuses, de como governam os percursos humanos.         

A trilogia que Ésquilo escreveu em torno de Prometeu, da qual sobrou-nos Prometeu acorrentado, aventa a opção da liberdade, da autonomia do homem diante do capricho dos deuses, à custa de suplícios. O próprio teatro de Ésquilo foi ilustrativo; ele cuidava da coreografia, encenava, atuava e introduziu elementos como a máscara.

Desde sempre, um assunto freqüente na tragédia grega foi o destino. Sófocles promove modificações várias no coro, no número de papéis dos atores, no estilo inicialmente acentuado em Ésquilo. Mas permanece conformado com as tradições ao reconhecer que os homens nada podem contra os caminhos existenciais que são predeterminados pelos deuses. Antígona e Édipo Rei são exemplares.         

 Naturalmente, a questão da administração dos destinos humanos levou a outras como o motivo pelo qual o homem deveria viver.  O sentido da vida logo se instituiu como questão.         

Compreensões  morais receberam implementos e divergências do âmbito da razão (lógica), da metafísica, da educação.  Assim, por exemplo, já a partir do princípio do século IV a.C estudiosos como Eudoxo de Cnido e  Aristipo de Cirene  apontavam como resposta um prazer de natureza, às vezes, negativa, como a imperturbabilidade absoluta da escola de Epicuro. Matizes dessa resposta encontrariam defesa em  Hobbes, Locke, Hume, bem como desafeição em Platão, Aristóteles e Kant.         

A resposta socrática ao tema é antropológica e moral: os homens buscam a felicidade, que, em composição plena, é o bem. Para exercer o bem, é suficiente conhecê-lo. Um racionalismo idealista otimista para o contexto grego de então.   A sofística trazia como meta de vida um sucesso calcado em prazer, verdades aparentes, retórica.  Aristóteles, assim como Platão e Sócrates, promove a razão (mesmo em seu caráter contemplativo) como mediadora para o fim último, a felicidade – somente atingida por mecanismos sobretudo morais.

 

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