Artigos de Lúcio Packter

título - Dublin, Irlanda


terceiro artigo publicado na edição 28 da revista Filosofia, da Editora Escala.

O rapaz contou em tom casual, literatura de passeio, que se casou com um casal. Quinta-feira, 25 de setembro, uma tarde de sol na Irlanda. Bem, ele se casou com um casal, mas como ele era anteriormente casado, perguntou se existiria algum grau de parentesco entre sua mulher e o casal com quem se casou. Um casamento verbal, sem papel, porque “no verbal o mundo parece mais íntegro” – foi o que ele disse. Reparei que ele tinha as unhas das mão esquerda pintadas de azul; as unhas da mão direita eram carmim.

Esta situação vertiginosa para muitos de nós torna-se menos rara a cada dia. As interseções deixam os limites dos padrões e rumam para complexidades maiores e maiores.

Algumas pessoas adoram concepções que dificilmente têm como ter desempenho de eficácia ou eficiência juntas; no entanto, as adotam exatamente porque é no impedimento que ela transitam com a espevitamento esportivo com que transitamos em um Ferry Boat em um domingo de sol. O que se tornou objeção para muitos de nós é incentivo ou autorização ou caminho para muitos dos outros de nós. Houve uma vez, conversei com uma garota, 19 anos aproximadamente, e ela me disse que  decidiu abolir o nome de sua identidade. Apresentou-se por um som, um som que mistura o farfalhar das folhas com as batidas de uma asa de um pássaro; de uma asa somente, como ela explicou. O som que ela fez não me lembrou nem remotamente isso, mas a explicação ajudou bastante.

Pessoas sem nome, com vínculos familiares indistinguíveis, com vidas incompreensíveis para os padrões atuais, elas se anunciam nos horizontes, elas se anunciam em Berlin, em Edinburgh, em Dublim, e muitas vão de fato existir.

A interseção delas as pessoas “normais”, “gente de bem”, estes que tentam fazer com que tudo continue igual, ainda que considere isso que é igual um grande engano, esta interseção será um acervo de estudos aos filósofos clínicos.

 

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