Artigos de Lúcio Packter

título - Derrida


artigo publicado na edição 32 da revista Filosofia, da Editora Escala.

    

Derrida

Jacques Derrida palestrou no Masp, em São Paulo, para umas 600 pessoas que pareceram satisfeitas à saída. Como é hábito acadêmico em ocasiões assim, Derrida leu mais de 30 páginas.

Sucesso de mídia, leiga e acadêmica, ele pareceu conhecer as frases de efeito, os sinais de fumaça, a colocação certa que causa encantamento. Fazendo Filosofia por literatura bem feita, passou a impressão de uma inteligente literatura filosófica. Derrida jogou com contrastes, com coisas que logo adiante revelaram aquilo que delas nem se imaginou, e que no fundo, na realidade, não são. Ficamos extasiados com o efeito, não com o entendimento. O pensador faz do óbvio a escultura. Pesquisa velozmente, cercado de exemplos, significados que contrapõem patrão e escravo, em uma ordem arrivista pelo próprio parecer que nega.

Girando o espelho... Derrida estaria pouco à vontade com o discurso que analisa o que se empenha em atacar: “A História da Mentira”.

Mas isso não faria a menor diferença. Diante da mídia, os significados seriam os mesmos.

 

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